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Roller Derby - PatinsSe você é fã de Juliette Lewis, e acompanha a carreira da atriz/cantora, sabe o que é o Roller Derby. Se caiu de paraquedas neste (lindo) blog, vamos te explicar =P

Roller Derby é um esporte de contato praticado pelas mulheres, que usam patins (os clássicos, quad speed) e tem o objetivo básico de dar voltas em uma pista circular, ultrapassando as meninas do time adversário. Claro que tem muito mais regras, mas deu pra imaginar?

Para ter uma ideia mais “visual”, vai uma descrição interessante que lemos em outro blog:

“Imagine um jogo de hockey, mas substitua o gelo por uma pista de patinação. Troque as largas camisetas por meias finas e camisetas regata e esqueça os nomes comuns para ficar com pseudônimos como Tanya Hyde e Demi Gore. Você terá uma idéia razoável do que é o roller derby feminino.”

Whip it

Sacou mais ou menos o que é? ;)

O esporte ganhou visibilidade no Brasil no filme Whip it, estrelado por nossa querida Juliette, e dirigido por Drew Barrymore. De lá pra cá, o Roller Derby ganhou força e já tem até uma “liga” Brasil que vai competir no Mundial!

Para comemorar o avanço do esporte na terrinha, chamamos as meninas da liga (pq não é time, é “liga”!) Gray City Rebels para uma entrevista. Agora vocês ficam com elas, que vão explicar um pouquinho mais sobre este esporte diferente e ultra-moderno – apesar de ter sido criado nos anos 30!

JLBR entrevista Gray City Rebels

Gray City Rebels - Liga paulistana de Roller Derby

JLBR – Como você descobriu o esporte? O que te deu o empurrão para começar a praticar? – O esporte é indicado para que tipo de pessoa? Todas podem praticar, as magrelas e as mais gordinhas?

 Dedé – Uma prima minha tinha falado de roller derby pra mim há uns 3, 4 anos… Ela falou que era um esporte legal meio “riot grrrl” e que tinha que ser mais gordinha porque você dava porrada nas outras meninas. Não me interessei muito, e aí um dia assisti “Whip It”, com a Juliette Lewis, Ellen Page e Drew Barrymore (<3 ) e pensei “Wow, esse lance parece ser legal. Será que tem no Brasil?”. E tinha uma liga de flat track, que é uma modalidade diferente da que tem no filme, e eu entrei numa liga em SP, e fiz muitas amigas novas e isso foi me motivando pra continuar indo. No final de 2010, eu e mais umas amigas saímos dessa liga e montamos a nossa, a Gray City Rebels.

Todas as meninas podem fazer roller derby, e isso é o mais legal: você não precisa ter porte atlético, ser alta como no basquete, por exemplo, você pode ser baixinha e gordinha (o/) e ainda assim se encontrar e ser uma ótima jogadora. Além de que, claro, você vai entrar em forma: é um esporte super do bem pro seu corpo, você fica com as coxas e batata da perna lindas, os braços mais definidos, o abdome idem… enfim, melhor que natação, cara! :)

É verdade que o Roller Derby era bem mais violento no passado? Como são as regras hoje em dia?

Gray City Rebels LeagueDedé – Quando o roller derby surgiu, nos anos 30, era só uma corrida de patins. O objetivo era dar 948324823423 mil voltas naquela pista inclinada (que se chama banked track). Nos anos 70, o roller derby voltou como uma coisa mais encenada, em que as meninas davam voltas na mesma pista de patins, mas iam se porrando, jogando as outras pra fora, dando socos, etc. Tudo ensaiado, tipo uma luta livre, mas valia tudo: cotovelada, soco na cara, puxar pelo cabelo, empurrar, etc.

O roller derby moderno é bem estruturado e cheio de regras. Desde o começo dos anos 2000, as regras vem sendo aperfeiçoadas e tudo isso que valia na “luta livre de roller derby” não vale mais.  Não pode dar cotovelada igual o “Whip it” mostra, chutar, jogar pra fora da pista de maneira ilegal… O que vale é usar seus quadris, coxas e ombros pra empurrar alguém pra fora da pista e ajudar a jogadora do seu time. Há uma associação de roller derby chamada WFTDA que é responsável por coordenar e qualificar as ligas que decidem se associar a ela, além de promover campeonatos entre as ligas e países.

Roller Derby é um esporte caro? Sabemos que aqui no Brasil é super difícil conseguir patrocínio… como vocês mantêm os treinamentos? Dá pra comprar os equipamentos aqui no Brasil mesmo?

Dedé – É um esporte caro sim, porque os patins que usamos praticamente não são fabricados no Brasil (o que existe aqui não é muito bom) e acabamos tendo que importar patins, rodinhas, rolamentos e até o equipamento de segurança. Dá pra comprar os equipamentos no Brasil, mas às vezes compensa comprar o importado por uma questão de qualidade e preço.

Os treinos aqui são super DIY e nós aprendemos via YouTube, assistindo bouts (que são os jogos), trazendo jogadoras gringas pra ensinar pra gente, etc. As meninas que fazem parte da nossa liga pagam uma mensalidade simbólica pra ajudar com confecção de camisetas, buttons, flyers e eventuais gastos que a gente possa ter.

Gray City Rebels League
A questão do visual é muito forte para quem vê o esporte de fora. Como vocês lidam com isso?

Dedé – Nas Gray City Rebels a gente costuma dizer que as meninas podem até entrar pelo visual, mas se elas decidem continuar, é porque se apaixonam pelo esporte. O esporte roller derby é muito mais do que usar meia arrastão e shorts e meias coloridos, é um esporte que busca fazer as atletas se esforçarem sempre mais além do que elas acham que podem. Exige força mental e física, e sacrifício para conseguir fazer o que é exigido durante os treinos. É engraçado porque nos primeiros treinos a menina pode até ir toda “estilo roller derby”, mas dá um treino e ela já ta usando legging e uma camiseta favorável pra prática de exercícios. Igual ir a academia: você se maqueia e vai com roupas pra chamar atenção ou vai pra fazer exercício? Pra gente é exercício.

E quem quer entrar pro mundo do Roller Derby, faz o quê? Quais são os primeiros passos? (independente de ser em SP/BRA)

Dedé – Aqui em São Paulo na nossa liga, pra começar a treinar com a gente você precisa ter disponibilidade de horário pra treinar de 2 a 3 vezes por semana, vontade de aprender e comprometimento. O primeiro passo é aparecer em um treino nosso pra conhecer a gente e a gente conhecer você e te explicar direitinho como funciona a nossa liga. Levamos o esporte muito a sério e queremos meninas comprometidas e que estejam dispostas a treinar e ajudar dentro da liga. Depois, é bom guardar uma graninha pra comprar seus patins e equipamento de proteção – nós temos alguns disponíveis pra alugar durante um tempo enquanto você não compra os seus. E aí, é so se preparar pra se apaixonar pelo esporte mais irado do mundo!

O que é o “Derby Name”? Qual a história do seu Derby Name?

Gray City Rebels LeagueDedé – Derby name é tipo um apelido, que normalmente envolve algum trocadilho, que as meninas que fazem roller derby usam quando jogam. Tem gente que fala que é como se fosse o seu alter-ego, mas eu particularmente vejo mais como um jeito de fazer uma piadinha com alguma coisa que você gosta bastante… Tem meninas que tem derby names mais a ver com ser durona e que vai acabar com a outra menina na track, tipo Atomatrix, DeRanged, etc, outras com piadinhas tipo Georgia W Tush, Smack Daddy e por aí vai. O meu derby name é Kaia Pilsen e é por causa de uma cantora e guitarrista que eu gosto muito, chamada Kaia Wilson. Quando eu comecei a fazer roller derby, tinha acabado de ir a um show da banda dela e tava pirando muito nas músicas da moça. E dizem por aí que eu gosto de tomar cerveja e que eu entrei no roller derby pelo after-party, então… Pilsen! :P

Mari – O Derby name é um apelido, como se fosse um alter ego. Ele pode ser um trocadilho com algum ícone famoso, tipo ator, atriz, cantores, bandas, etc. ou pode ser uma brincadeirinha com algo que tenha a ver com a personalidade da jogadora.
O meu Derby Name é Peryl Streep, é um trocadilho com o nome de uma atriz que eu gosto muito (e tá meio óbvio), Meryl Streep… “Peryl” de perigo e “Streep” do sobrenome mesmo. Eu o escolhi depois de ter pensado em vários outros tipo Virginia Woound (com 2 “O’s” mesmo, pra lembrar Woolf) e alguns outros que não lembro direito. Eu só sei que queria algo diferente. Quando a jogadora de Montreal, Georgia W Tush, veio pra cá dar um treinamento pra gente das GCR (e para as outras ligas convidadas), ela me disse que nunca viu ninguém com um derby name que fizesse referência a uma senhora, então…acho que consegui algo diferente! ha ha!

Conte pra gente um pouco sobre a Gray City Rebels e sobre a copa do mundo em Toronto.

Dedé – Gray City Rebels é a liga que eu, a Ju Leal (Ginger Midget), a Mari Teixeira (Peryl Streep) e a Renata Hazan (Alpha Mail Me) fundamos quando decidimos sair da outra liga em que fazíamos parte. A gente não tava muito contente com algumas coisas, queria fazer diferente mas era apaixonada por roller derby do mesmo jeito pra simplesmente desencanar. Fundar e administrar uma liga é a coisa mais legal e mais difícil que eu já fiz na minha vida. A gente cuida de tudo, desde dias e horários de treinos até o que achamos importante atingir como atletas, o que podemos fazer pra ganhar visibilidade produtiva na mídia, como recrutar e manter meninas no nosso time, a importância do comprometimento com a liga e o esporte, etc.  As meninas que entram na liga tem que estar comprometidas e envolvidas, indo a 75% dos treinos, participando de comitês que ajudam a organizar a liga, e treinando duro pra avaliação que pedimos depois de 2 meses de treino. Não dá pra entrar achando que vai ser festa e usar meia arrastão e maquiagem e só, porque a gente exige muito mais do que isso. A gente tem meninas que patinam há dois meses e são lindas, não sabiam nem ficar de pé no patins e hoje estão super bem e confiantes pra caramba. E roller derby pra gente é isso, é sobre ir além dos seus limites, se forçar a fazer algo legal, se tornar confiante.

Ajude o nosso time a ir para a Copa do Mundo!
Dos dias 2 a 4 de dezembro vai ter a primeira copa do mundo de roller derby em Toronto, e a Nanda Corrêa (aka Brazilian Nut, que joga na liga de NY Gotham Girls) teve a idéia da gente montar um time do Brasil. Tivemos duas etapas pra selecionar o time e 20 meninas foram escolhidas pra representar o Brasil nessa Copa, incluindo 4 brasileiras que moram e jogam em outros países como EUA, Canadá e Alemanha. Não sabemos direito como vai ser, mas estamos mega ansiosas e treinando bastante pra poder dar o nosso melhor!!! É bem difícil porque tudo está sendo pago do nosso bolso, não temos patrocínio nem apoio de nenhuma instituição nem do governo, então cada uma está se virando como pode pra pagar as passagens e despesas que teremos lá.

Estamos aceitando doações no site que montamos sobre a copa que está lindo – Roller Derby Brasil -  e lá tem bastante informações sobre as atletas!

Você já assistiu o filme Whip It, estrelado por Ellen Page e Juliette Lewis? O que você achou? Juliette convenceu como Derby Girl para as Derby Girls de verdade?

Dedé – Assisti e na época gostei bastante do filme! Um filme com Drew Barrymore, Ellen Page e Juliette Lewis é praticamente uma fórmula mágica pra meninas, não tem como não gostar! Claro que hoje, depois de conhecer muito mais sobre roller derby, acho que o filme deixa a desejar bastante principalmente em termos do esporte em si, mas é bonitinho… A Juliette acho que ficou sendo como a derby girl mais durona e se esforçou bastante pra isso, e acho que as meninas que eu conheço que fazem derby e vêem a personagem da Juliette (que tem o derby name de uma jogadora de verdade, a Iron Maven) como uma derby girl bem real.

Juliette Lewis & Ellen Page - Whip itMari –Eu assisti o Whip It, claro!! Foi o primeiro filme que eu vi com referência ao derby. Eu achei o filme muito legal, apesar de ter alguns movimentos ilegais no derby (tipo cotoveladas), mas aí você percebe que é isso que dá graça nas Hurl Scouts, a atitude de não prestar muita atenção nas regras e tals (mas crianças, não façam isso na vida real! haha!).

A Juliette convenceu MUITO como Derby Girl, ela tem atitude, tem uma “game face” muito boa e o jeito especial Juliette de ser né?! <3 Posso dizer que ela foi minha primeira derby crush, em março de 2010 ha ha!

A Juliette se apaixonou pelo Roller Derby e adora quando as ligas marcam presença em seus shows. Mandem um recado pra ela!

Dedé – Eu só posso dizer que adoro que a Juliette sempre chama as derby girls das cidades que está tocando pra ir aos seus shows! Aqui no Brasil, roller derby é tão novo e tão desconhecido ainda que a visibilidade que ela dá seria espetacular! Juliette, vem logo pro Brasil patinar com as Rebels e é nóis curtindo suas músicas super foda! =)

Mari – Juliette, venha para o Brasil!! POR FAVOR! As Gray City Rebels estarão de portas abertas pra receber você e curtir muito rock ‘n roll!

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Gostou da entrevista? Se quiser saber mais sobre a liga Gray City Rebels não deixe de entrar no site oficial das meninas! E para fechar, fotinha do ensaio *lindo* que Juliette & cia fizeram para VS Magazine, promo de Whip it!

Whip it VS Magazine Photo Shoot

Até mais,
Equipe JLBR

por:
Juliette Lewis BR

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